Sexta-feira, Junho 16, 2006
Segunda-feira, Maio 15, 2006
Plano de Aula
Colégio Estadual José Augusto Tourinho Dantas
Disciplina: Ciências
Carga horária: Três aulas na semana
Turno: Vespertino
Unidade: II
Turma: 8º A
Professora: Quelsilene
1. PERFIL DA DISCIPLUNA
Estudar Ciência é levar o aluno desenvolver a capacidade de observação e pesquisa e o raciocínio cientifico. E nesta série é importante salientar que esta disciplina é uma ciência natural que se dedica do estudo da estrutura das diversas espécies de matéria que constituem a natureza, bem como à investigação das transformações que ocorrem quando submetidas a ação de agentes físicos a presença de outras substâncias.
2. OBJETIVOS
2.1. Objetivo Geral
· Conhecer o mundo físico em que vive, observando a matéria em suas diferentes formas e as transformações que nela ocorrem, subsidiando a resolução de problemas do cotidiano.
2.2. Objetivos Específicos
· Conceituar e exemplificar matéria, substâncias e misturas.
· Diferenciar fenômeno físico de químico.
· Diferenças de substâncias simples e compostas.
· Associar a química na preservação do ambiente.
· Caracterizar os fenômenos químicos.
· Utilização da representação simbólica das transformações químicas.
· Conhecer alguns elementos importantes no nosso dia-a-dia e manusear.
3. CONTEÚDOS CONCEITUAIS, ATITUDINAIS E PROCEDIMENTAIS
3.1. Conteúdos Conceituais
· Conhecer os conceitos fundamentais da ciência química.
· Relacionar a química moderna no seu uso dia-a-dia.
· Explicar os fenômenos químicos e físicos na prática escolar.
· Reconhecer o estudo da transformação da química e sua utilidade no cotidiano.
3.2. Conteúdos Procedimentais
· Observar e experimentar as transformações químicas.
· Elaborar atividades práticas para fácil entendimento.
· Construir conceitos práticos para códigos e símbolos próprio da química.
3.3 Conteúdos Atitudianais
· Envolvimento.
· Participação.
· Curiosidade.
· Objetividade.
4. METODOLOGIA
· No primeiro momento farei com os educandos uma dinâmica chamado de “Bingo de Ciência” para sondar o conteúdo que eles viram e que eles vão ver. Será realizado na terça-feira dia 16/05/2006 no 1º e 2º horário.
· Na quinta-feira dia 18/05/2006 vou ministrar uma aula em data-show com animação do primeiro conteúdo da II unidade e pedirei a eles fizessem uma pesquisa sobre “A química no seu Bairro” onde cada grupo no seu respectivo Bairro analisassem e relatassem o que é relacionado a Química no seu Bairro.
· Abrir com a turma discussão sobre a pesquisa feita no Bairro do respectivo grupo.
· Com texto da revista Veja na Escola que fala sobre A Química do Café, darei a cada grupo já formado uma revista dividindo sub-temas para posteriormente cada grupo apresentar oralmente e eu complementar relacionando o texto da revista com o conteúdo da unidade.
· Passar Vídeos de TELECURSO 2000 referentes a diversos assuntos da química do dia-a-dia. Pedir relatório de observação.
· Preparar aulas de laboratório e leva-los para realização de experimento. Será um roteiro de aula para cada grupo desenvolver o experimento que será entre a mim.
· Ministrar uma aula na quadra de esporte do colégio sentados em círculos.
· Aplicar uma avaliação parcial de tudo que foi visto e feitos em sala de aula ou fora da sala de aula, ou seja, aplicação do conhecimento.
5. RECURSOS
· Laboratório de química
· Laboratório de informática.
· Data-show
· Aulas expositivas e discursivas
· Revista Veja na Escola
· TV/Vídeo
6. AVALIAÇÃO
· Atividades integradas (Relatórios e Roteiros):
Critérios: Conteúdo, organização, produção, criatividade, responsabilidade.
Valor: 4,0 (quatro).
· Pesquisa:
Critérios: Conteúdo, organização, produção, criatividade, responsabilidade, coerência.
Valor: 2,0 (quatro).
· Avaliação:
Critérios: Conhecimento, lógica, coerência e interpretação.
Valor: 4,0 (quatro).
7. REFERÊNCIAS
· Minimanual compacto de Ciências – Teoria e Prática – Ed. Rideel
· Ciência 8a série – Cecília Valle – Ed. Positivo.
· Ciência 8a série – Fernando Gewandsznajder – Ed. Ática.
· Revista Veja na Escola
· Fitas TELECURSO 2000 Vols: 1
Terça-feira, Maio 02, 2006
Síntese do Sistema de Avaliação para Luckesi
Para Luckesi, a avaliação é um juízo de qualidade sobre os dados relevantes para uma tomada de decisão. Ou seja, não há avaliação se ela não trouxer um diagnóstico que contribua para melhorar a aprendizagem.
Ele aponta que as Escolas da Cidade de Salvador ainda relaciona a avaliação com exame e reprovação. Concordo, pois na minha vida acadêmica constantemente se vive com isso como forma de medir o conhecimento. Acredito muito que prova não mede conhecimento e sim seleciona e quantifica a nota do aluno. O importante é você ter um embasamento teórico, esta sempre em estudo, adquirindo conhecimento para sua vida profissional. Desta maneira será um cidadão competitivo na sociedade, formador de opiniões, etc.
Na Escola que trabalho também o sistema de avaliação é precário, alienado, ou seja, funciona como exame e aprovação ou reprovação. A avaliação é formada por um projeto interdisciplinar valendo dois, um teste valendo dois e uma prova valendo seis. Mas eu como educador só realizo com meus alunos uma prova valendo seis por ser obrigado a fazer. E o restante das avaliações para completar dez é com relatórios de aula de laboratório, relatórios de aulas de campo e projeto interdisciplinar envolvendo as disciplinas de exatas.
Segundo Luckesi, o ato de examinar é classificatório e seletivo. A avaliação, ao contrário, diagnóstica e inclusiva. Isso mesmo, realizamos prova para contar pontos para concluir se o aluno será aprovado ou reprovado na unidade.
A avaliação não tem que ser nesse ponto de vista e sim constituída de instrumentos de diagnóstico, que levam a uma intervenção visando à melhoria da aprendizagem. Se ela for obtida, o estudante será sempre aprovado, por ter adquirido os conhecimentos e habilidades necessários.
Muitos educadores também utilizam a avaliação como forma de amedrontar, obter atenção dos alunos por muitos serem inquietos e quando se fala em prova eles se comportam. Ou seja, utilizam a prova como um mecanismo ameaçador. Enfim a avaliação para ser trabalhado no ponto de vista de Luckesi está longe da nossa realidade. Precisas-se de uma política pedagógica eficiente e autentico para que os educadores percebam a importância da avaliação no nosso sistema de ensino, onde hoje a avaliação é utilizada como exame e reprovação como já foi dito. E ainda mais, para que o estudante adquira os conhecimentos e habilidades necessários o sistema de avaliação terá que ser constituída de instrumentos de diagnóstico, que levam a uma intervenção visando à melhoria da aprendizagem. E não ser utilizada de forma incorreta, como: classificatório e seletivo.
Se tratando de vestibular, Luckesi afirma que não tem a ver com Educação, mas com a capacidade do poder político de fornecer ensino universitário para quem quer estudar. Agora, todo o ensino, desde o Fundamental, está comprometido com o vestibular. É por isso que é tão comum a adoção de testes que não medem aprendizado, mas treinam para responder perguntas capciosas. É preciso que as Escolas invistam em uma prática pedagógica construtiva, com simulados como os é feitos pelos cursinhos.
A avaliação tem que ser planejado. Assim, direciona a prática pedagógica. Um planejamento didático consciente prevê a elaboração de instrumentos e a correção deles quando ela for necessária para a reorientação do curso do aprendizado, afirma Luckesi. A minha avaliação com meus discentes se passa por um planejamento de ensino orientando todo processo avaliativo sem que dê a entender que estou examinando e sim, construindo com eles, obtendo e ganhando conhecimeto. Claro! Por obrigação tenho que fazer uma prova, pois é o regime da Escola. Para a minha avaliação ser de acordo com o que Luckesi afirma, está longe para isso acontecer.
Terça-feira, Abril 25, 2006
Próximas Aulas
25/04/06 - Apresentação dos três grupos sobre Planejamento
27/04/06 - Avaliação
02/05/06 - orientações para fechamento dos planejamentos
04/05/06 - apresentação para a turma dos planejamentos (reconstruções)
09/05/06 - Aplicação da intervenção em sala *
11/05/06 - Aplicação da intervenção em sala *
16/05/06 - Aplicação da intervenção em sala *
18/05/06 - Aplicação da intervenção em sala *
* Orientações individuais (grupos) sobre o andamento das atividades, a serem agendadas
23/05/06 - apresentação da experiência (relato informal)
25/05/06 - entrega do relato e artigo
Segunda-feira, Abril 24, 2006
Sinteses dos Texto - Planejamento em Educação
Planejamento Curricular é o "processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar. É previsão sistemática e ordenada de toda a vida escolar do aluno". Portanto, essa modalidade de planejar constitui um instrumento que orienta a ação educativa na escola, pois a preocupação é com a proposta geral das experiências de aprendizagem que a escola deve oferecer ao estudante, através dos diversos componentes curriculares (VASCONCELLOS, 1995, p. 56).
Planejamento de Ensino é o processo de decisão sobre atuação concreta dos professores, no cotidiano de seu trabalho pedagógico, envolvendo as ações e situações, em constante interações entre professor e alunos e entre os próprios alunos (PADILHA, 2001, p. 33). Na opinião de Sant'Anna et al (1995, p. 19), esse nível de planejamento trata do "processo de tomada de decisões bem informadas que visem à racionalização das atividades do professor e do aluno, na situação de ensino-aprendizagem".
Agora, assistindo a apresentação da equipe e lendo o texto pude entender que o Ato de Planejar é muito importante para ensinar. Isso porque o ensino não deve ser improvisado devido sua importancia no processo de ensino e aprendizagem do aluno. E para que este planejamento alcance resultados, que sejam condizentes com o que foi estipulado com objetivo. O professor deve conhecer os alunos pra quem ensinará, afim de saber articular o que irá ensinar e como ensinar.
TEXTO - 2
TEXTO - 3
Equipe: Vinicius, Maite, Joselice, Joana e Marinalva
- A organização de atividades de ensino e a aprendizagem
· Para construir é preciso organizar, planejar, programar, ou seja PLANEJAMENTO.
- Importante para que a relação de ensino-aprendizagem tenha um bom significado – aprender e aprender.
· Projetos é importante para o ensino do aluno. Pois, é no projeto que buscamos trabalhar a realidade do aluno, as questões sociais que eles vivenciam e as questões polêmicas que questionam. Assim, o aluno torna-se mais interessados e estimulados pelo estudo tornando a relação ensino-aprendizagem concretizada.
O que de IMPORTANTE nesse texto quando o autor fala:
- Uma aula expositiva e dialogada;
- Para iniciar um trabalho com novos conteúdos ainda não problematizados com aulas expositivas seria uma péssima escolha. (conteúdos diferentes precisam ser trabalhados com atividades diferentes);
- Articulação entre diferentes conteúdos para ser ensinados e aprendidos;
- A aprendizagem não é um processo linear e ocorre com sucessivas reorganização do conhecimento;
- Se o ensino estiver baseado em fragmentos de conhecimento (leitura e escrita) estará fadado e fracassado;
- Modalidades de ensino (os projetos, as atividades habituais, as seqüências de atividades e as atividades indiferentes). Essas modalidades devem coexistir e se articular ao longo do trabalho pedagógico.
- Projetos à é importante oferecer em contexto no qual o esforço de estudar tenha sentido, e no os alunos qual realizem aprendizagens com alto grau de significação;
- Não há tempo de duração de um projeto;
- É a modalidade organizativa do ensino que mais se afirma com trabalhos interdisciplinares.
- O ensino e as condições iniciais dos alunos
* Planejamento de ensino
- Condições iniciais do aluno
- Definir os conhecimentos prévios
Isso para desenvolver com eles as atividades de ensino e aprendizagem.
- Construção de conhecimento
- É preciso o professor se planeje ao se deparar com alunos com dificuldade de aprendizado da série anterior a que ele é no presente.
* Probematizar
- É preciso problematizar para que o aluno busque o conhecimento, provocando vontade de de saber. Assim construindo a relação ensino-aprendizado presente na vida dele.
- As condições iniciais dos alunos pode ser dispertada pelo professor por meio de problematização do conteúdo.
* Avaliação
- A avaliação deve ser continua e formativa, ou seja, prpcessual. A avaliação continua é a observação do aluno dos processos de aprendizagem vividos pelos alunos, seja o grupo que compoem a classe, seja cada aluno particular. Se tratando de formativa, o professor deve avaliar o processo de evolução de cada aluno, a aprtir das dificuldades, limites e facilidades. Isso é importante que saimos da avaliação tradicional - avaliação classificatória.
* Exemplos de atidvidades para uma avaliação mediadora
Sábado, Abril 22, 2006
Aula do dia 28/04/06
A Professora passou três Textos para dividir em equipes que será apresentados nos dias 20/04/06 e 25/04/06. A minha equipe é o 3ºgrupo: Joselice, Joana, Maite, Marinalva e Vinicius ficou com o texto cujo o tema "A organização de atividades de ensino e aprendizagem" que será apresentado em 45min no dia 25/04/06. Ela falou que a forma de apresentação fica a critério dos alunos.
O Texto da Equipe para Apresentação é esse abaixo:
:: A organização de atividades de ensino e aprendizagem
Para construir é preciso organizar
O objetivo desse texto é refletir sobre o segundo componente: a organização de atividades de ensino e aprendizagem. Essas idéias de organização das atividades de ensino podem e devem ser adotadas para todos os ciclos, tanto no Ensino Fundamental quanto no Médio.
Uma aula expositiva e dialogada pode ser uma ótima atividade para formalizar um conceito que já vem sendo estudado há semanas em um projeto didático. Mas a mesma aula expositiva pode ser uma péssima escolha quando se trata de iniciar o trabalho com novos conteúdos ainda não problematizados com os alunos. Conteúdos diferentes precisam ser trabalhados com atividades diferentes. Mas, para além de cada atividade e seu conteúdo, é preciso pensar sobre a melhor articulação entre os diferentes conteúdos eleitos para serem ensinados e aprendidos, e os diferentes tipos de atividades presentes no trabalho pedagógico.
A aprendizagem não é um processo linear e ocorre com sucessivas reorganizações do conhecimento. Por isso, se o ensino estiver baseado em fragmentos de conhecimento correspondendo a intervalos de tempo iguais, estará fadado ao fracasso. Esse problema tem se repetido em nossas escolas no que diz respeito ao ensino e aprendizagem da leitura e da escrita. Os professores propõem a mesma atividade a todos os alunos e espera que todos a realizem no mesmo tempo, para dar prosseguimento ao “planejamento”. Mas as crianças não aprendem no mesmo ritmo e, em poucas semanas, várias já não conseguem compreender as propostas de atividade que o professor faz.
Para criar condições a fim de flexibilizar o tempo e a retomada dos conteúdos, a autora Delia Lerner sugere que se ponha em ação diferentes modalidades organizativas do ensino, que são: os projetos, as atividades habituais, as seqüências de atividades e as atividades independentes. Essas quatro diferentes modalidades organizativas devem coexistir e se articular ao longo do trabalho pedagógico.
:: Os projetos
Os projetos (também chamados de projetos didáticos), que não devem ser confundidos com os Projetos de Escola, são formas organizativas do ensino cuja principal característica é ter início em uma situação-problema e se articular em função de um propósito, um produto final, que pode ser um objeto, uma ação ou os dois (um livro, um mural, um prospecto de campanha, uma peça de teatro, uma peça radiofônica, um seminário). Uma qualidade importante dos projetos é oferecer um contexto no qual o esforço de estudar tenha sentido, e no qual os alunos realizem aprendizagens com alto grau de significação.
Não há um tempo ideal de duração de um projeto, pois, dependendo dos objetivos traçados, ele pode durar dias ou até meses. Os projetos de duração mais longa permitem ao professor compartilhar o planejamento das ações voltadas à construção do produto final com seus alunos, desenvolvendo também suas capacidades para elaborar cronogramas. Nesses casos, “uma vez fixada a data em que o produto final deve estar elaborado, é possível discutir um cronograma retroativo e definir as etapas que será necessário percorrer, as responsabilidades que cada grupo deverá assumir e as datas que deverão ser respeitadas para se alcançar o combinado no prazo previsto ”. É a modalidade organizativa do ensino que mais se afina com os trabalhos interdisciplinares.
:: Atividades habituais
As atividades habituais são situações propostas com regularidade – uma vez por semana ou por quinzena, por exemplo. Podem ser utilizadas quando um dos objetivos do trabalho é formar hábitos ou construir atitudes. A roda de notícias é um exemplo desse tipo de atividade: uma vez por semana, professor e alunos trazem para a sala de aula matérias colhidas recentemente nos jornais, lêem e comentam as notícias. A leitura de um romance também pode ser feita, passo a passo, por meio de atividades habituais.
Um professor de Matemática de 1ª série do Ensino Médio, que tem quatro encontros semanais com uma classe, desenvolve o estudo de funções em três desses encontros, por meio de atividades seqüenciadas, e uma vez por semana, desenvolve estudos estatísticos relacionados a um projeto interdisciplinar que a turma está realizando, em colaboração com os professores de Geografia e História. Esse encontro passa, então, a ser uma atividade habitual, relativa ao desenvolvimento do projeto.
:: Seqüências de atividades
As seqüências de atividades são situações articuladas que possuem um objetivo educativo comum relativo a um ou mais conteúdos de aprendizagem. É a modalidade organizativa mais utilizada pelos professores em seus planejamentos do ensino. Seu tempo de duração varia de acordo com os conteúdos e com os objetivos.
:: Situações independentes
As situações independentes são aquelas que, geralmente, correspondem a necessidades didáticas surgidas no decorrer do processo de ensino e aprendizagem. Uma aula em que o professor sistematiza um conhecimento que esteve em jogo no desenvolvimento de um projeto recém-terminado. Dois exemplos:
professores de um determinado ciclo preparam um debate, a partir de um documentário em vídeo, em função da ocorrência nas imediações da escola de fato que envolve questões de violência, ética e que pedem uma intervenção educativa por parte dos professores;
durante uma discussão sobre notícias de jornal (atividade habitual), um aluno trás um artigo de jornal comentando uma descoberta científica. A classe demonstra grande interesse pelo assunto, então, o professor sugere a uma equipe de alunos que prepare um seminário sobre o tema e marca uma atividade independente para a apresentação.
Esse último exemplo nos faz lembrar que o Planejamento do Ensino deve ser construído com flexibilidade, tendo um espaço para que atividades independentes possam ser realizadas. A característica mais marcante do ensino “tradicional” é colocar todos os alunos a “marchar” em passo rápido e uniforme, pois sempre há uma quantidade enorme de conteúdos a serem “dados”. Nada pode fugir ao rígido plano elaborado no início do ano e que deve ser cumprido custe o que custar.
Combinando as diferentes modalidades, o professor tem condições de organizar seu Plano de Ensino de modo a proporcionar aos alunos processos de aprendizagem mais significativos, articulando os diferentes conteúdos com as diferentes modalidades e, dessa forma, evitando a fragmentação do conhecimento e respondendo melhor ao desafio de ensinar.
Observação: Sugere-se que para ter uma visão mais ampla da questão o professor se reporte também às atividades apresentadas para todos os níveis.
:: O ensino e as condições iniciais dos alunos
O aluno já chega na escola com
algum conhecimento prévio
“O ensino deve partir dos conhecimentos prévios dos alunos”. O que quer dizer esta expressão bastante utilizada atualmente? O que ela pode significar em relação ao Planejamento do Ensino?
Para começar, é necessário definir os “conhecimentos prévios”, já que é comum haver uma confusão com relação a essa idéia, inclusive chegando a significar o conjunto de “conteúdos que os professores da série anterior ensinou e que os alunos deveriam ter aprendido”.
Conhecimento prévio é um conceito que se tornou famoso entre os educadores a partir de reflexões em educação com base teórica na pesquisa piagetiana. A construção do conhecimento pelo sujeito que pensa é a principal preocupação dessas pesquisas. Compreender como é o conhecimento que esse sujeito tem em um determinado momento de sua vida e com relação a um objeto é fundamental para refletir sobre a forma como esse sujeito aprende, ou seja, como ele transforma esse conhecimento prévio, passando a ter um maior conhecimento sobre o objeto.
Para os pesquisadores que trabalham com a construção do conhecimento, ou seja, com a forma como se dá a aprendizagem em relação a diferentes objetos de conhecimento, saber como são os conhecimentos prévios de uma pessoa (criança, jovem ou adulto) significa fazer uma pesquisa científica. Isso implica cuidados metodológicos, fundamentação teórica e tempo de observação, no mínimo. Muitas pesquisas têm sido feitas em torno dessa questão. Os educadores, sem dúvida, devem conhecê-las, pois elas podem nos orientar sobre decisões a tomar do ponto de vista didático. No entanto, um professor não precisa, e nem deve, a não ser que exista uma justificativa pedagógica para isso, desenvolver pesquisas em sala de aula para determinar quais são os conhecimentos prévios dos alunos toda vez que inicia uma ação pedagógica em relação a determinado conteúdo.
O que é preciso conhecer são as condições iniciais dos alunos, para planejar e desenvolver com eles as atividades de ensino e aprendizagem. Sempre que há aprendizagem, os conhecimentos prévios do sujeito que aprende estão em jogo, e isso faz parte das condições iniciais dos alunos, mas isso não é tudo. É preciso levar em conta também, entre outros aspectos:
a relação que os alunos têm com o esforço de aprender;
como eles encaram novos desafios;
que aprendizagens precisam ter vivido para dar conta das atividades na forma como elas estão planejadas.
Os conhecimentos prévios do aluno devem ser considerados na medida em que entram em ação durante a atividade. Ou seja, quando o professor percebe que um aluno não consegue responder a uma questão, ou escrever um texto, ou ainda, se a atividade não teve interesse porque ele já sabia as respostas, deve observar melhor o que esses alunos já sabem para ajustar as propostas de ensino às condições iniciais.
Durante a elaboração do Planejamento do Ensino, as condições iniciais dos alunos, em particular os conhecimentos prévios, precisam ser considerados também para que esse planejamento fique o mais próximo possível de sua realização. No entanto, somente durante a ação pedagógica é possível certificar-se se as hipóteses sobre as condições iniciais dos alunos foram adequadas ou não, para alterar o plano inicial e torná-lo melhor para aquele grupo de alunos, caso seja necessário.
Professores do Ensino Fundamental – guardadas as diferenças - convivem com cenas comuns nas escolas públicas ou privadas de todo o país, que envolvem as condições iniciais dos alunos.
Logo no início do ano letivo, na segunda semana de aula, um professor de Matemática entra na sala dos professores e, vendo seus colegas, afirma: “Esses alunos da 5ª série não vão aprender nada. Estou começando a ensinar frações e eles não sabem nem multiplicar. Dividir então, nem pensar”. Por que esse professor não pára imediatamente seu trabalho e reavalia seu planejamento? Por que não conversa com a coordenação pedagógica a respeito dessas dificuldades do grupo e solicita uma parceria para reorientar seu plano de trabalho de modo a dar conta das dificuldades de aprendizagem de seus alunos?
Existem muitas respostas para essas questões e uma delas diz respeito à formação dos professores nos cursos de licenciatura que, em geral, não abordam esse tipo de problema. Muito raramente em Matemática, por exemplo, estudam como deve ser a didática do ensino das operações fundamentais. Em conseqüência, aqueles que tentam realizar esse ensino na quinta ou sexta série, o fazem por meio de aulas expositivas. O professor resolve algumas contas na lousa, explicando “detalhadamente” cada “passagem” do algoritmo e perguntam se os alunos entenderam. Em seguida, considerando que o silêncio da classe significa “Sim, entendemos”, passa uma lista de contas para fazer em classe e em casa. E os alunos continuam sem saber multiplicar e dividir.
:: Problematizar – uma competência que o professor deve ter
Em todo início de trabalho com um conteúdo, mesmo que este já tenha sido trabalhado anteriormente, é necessário que o professor se preocupe em mobilizar os alunos para as aprendizagens que deverão ocorrer. Essa mobilização, que depende das condições iniciais dos alunos, pode ser despertada pelo professor por meio de problematizações do conteúdo.
Problematizar significa criar questões que possam ser entendidas pelos alunos, mas que não podem ser respondidas de imediato, provocando-lhes uma vontade de saber. Em muitos casos, o Projeto de Escola já apresenta problematizações apropriadas para o desenvolvimento do ensino e da aprendizagem. Mas, em geral, os professores precisam, a partir do Projeto de Escola, selecionar conteúdos e, considerando as condições iniciais de seus alunos, realizar o Planejamento do Ensino e as problematizações necessárias ao desenvolvimento das atividades de ensino e aprendizagem.
É importante que fique bem claro que, se os alunos não se interessarem pelas questões que o professor faz a eles, então, são as questões que precisam mudar, não os alunos.
Essas reflexões podem ser aplicadas ao trabalho de todos os professores da educação básica, seja uma professora alfabetizadora, um professor de 5ª a 8ª série ou de Ensino Médio.
:: Avaliação contínua do ensino e da aprendizagem
A avaliação deve ser contínua
O objetivo desse texto é refletir sobre o terceiro componente: a avaliação contínua do ensino e da aprendizagem. Essas idéias de avaliação das atividades de ensino podem e devem ser adotadas para todos os ciclos, tanto no Ensino Fundamental quanto no Médio.
O tema avaliação é muito amplo. Pode-se avaliar o Projeto de Escola, avaliar a Escola como instituição pública. Pode-se avaliar a proposta de Planejamento do Ensino, a organização do tempo e do espaço no cotidiano escolar, a participação dos pais e da comunidade na vida da escola. Um dos componentes indispensáveis ao Planejamento do Ensino é a avaliação contínua do processo de ensino e aprendizagem. A avaliação contínua é a permanente observação dos processos de aprendizagem vividos pelos alunos, seja o grupo que compõe a classe, seja cada aluno em particular.
Cada professor, ao preparar seu Planejamento do Ensino, ao selecionar e se preparar para desenvolver determinada atividade com seus alunos, deve apontar que tipo de observação ele pode realizar para avaliar como anda a aprendizagem dos alunos com relação a determinado conteúdo. Nesse sentido, a clara definição das intenções educativas no Planejamento do Ensino é fundamental para que o professor saiba os conteúdos com relação aos quais irá acompanhar e avaliar as aprendizagens de seus alunos.
Por isso, mais do que planejar a avaliação é importante o professor ficar atento ao que está ocorrendo durante as atividades em relação à aprendizagem dos alunos. Ou seja, toda e qualquer atividade que se desenvolve em uma sala de aula, pode conter aspectos que sirvam para avaliação da aprendizagem dos alunos por parte de um professor.
:: Exemplos de atividades para uma avaliação mediadora
Enquanto expõe uma idéia diante da classe, o professor observa a reação dos alunos, suas perguntas, e seus silêncios; anda entre os alunos e observa suas anotações. Faz perguntas desafiadoras, observa o grau de envolvimento de cada um nos trabalhos. Durante a leitura de um texto seguida de um debate, o professor anota as perguntas e comentários que lhe chamam mais atenção, percebe que alguns alunos não conseguem se posicionar, ou relacionar as idéias do texto com conteúdos trabalhados anteriormente. Em seguida, propõe à classe algumas questões sobre o texto e conversa com aqueles que demonstraram dificuldade, procurando localizar onde se encontra o problema o como pode ajudá-los.
Enquanto os alunos, em duplas ou trios, resolvem uma lista de problemas de matemática, o professor observa como cada equipe trabalha:
os que logo começam a ler os problemas, escolhem um para resolver e tomam iniciativas;
aqueles que começam a resolver os problemas sem nem mesmo terem feito uma leitura atenta e que tentam soluções irrefletidas;
os que olham para a folha e não conseguem começar; etc.
A partir dessa observação, aproxima-se daqueles que demonstram dificuldades para tentar compreendê-las e sugerir novas atividades a esses alunos para que avancem em suas aprendizagens.
Um professor de história apresenta a seus alunos um texto que trata de conteúdos estudados há pouco e faz relações com novos conteúdos, que já estiveram presentes em debates anteriores e serão estudados mais profundamente a partir de agora. Ele pede que os alunos leiam o texto e façam comentários, elaborem questões ou apresentem discordâncias. Enquanto os alunos trabalham, o professor caminha pela classe e observa cada um, vê como estão trabalhando, se estão lendo ou se dispersaram.
Quando começam a escrever suas anotações, o professor vai acompanhando as produções dos alunos e orientando aqueles que pedem auxílio. Durante essas ações o professor, atento com os aspectos considerados desde o Planejamento do Ensino, vai acompanhando como as aprendizagens estão ocorrendo e pensando em como irá ajudar aqueles que demonstram que ainda não se apropriaram de certos conceitos ou procedimentos.
A principal característica de uma avaliação contínua, que procure mediar os processos de ensino e aprendizagem, é que as providências com relação aos resultados da avaliação devem ser tomadas imediatamente. Se o professor percebe que alguns alunos em sua classe não estão aprendendo, então, ele toma providências no mesmo momento e começa a pensar em como ajudar aqueles alunos a superar suas dificuldades.
Não é preciso esperar o bimestre terminar, entregar um boletim com uma “nota baixa” para o aluno e selecioná-lo para algum tipo de “aula extra de recuperação”. A avaliação, além de contínua, precisa ser formativa. Ou seja, ele deve avaliar o processo de evolução de cada aluno, a partir de suas dificuldades, limites e facilidades.
Sem dúvida trata-se de um grande desafio, visto que, em nossas escolas predomina a noção de avaliação classificatória. Uma avaliação feita com o propósito de selecionar quem vai “bem” e quem vai “mal”. Esse tipo de avaliação classificatória ainda encontra muitos defensores na educação básica, e tendo como argumento a seu favor o fato de que as universidades e escolas de ensino superior selecionam seus alunos por meio dela.
Em seu livro Avaliar para promover: as setas do caminho, Jussara Hoffmann, apresenta uma visão muito rica de avaliação mediadora, discutindo inúmeros aspectos relacionados à avaliação do ensino e da aprendizagem. No capítulo 4, Avaliação e Mediação, a autora afirma: “Quando se desenvolve um processo mediador de avaliação, não há como prever todos os passos e tempos desse processo, pois as condições e ritmos diferenciados de aprendizagem irão lhe conferir uma dinâmica própria”.
“As novas concepções de aprendizagem propõem fundamentalmente situações de busca contínua de novos conhecimentos, questionamento e crítica sobre as idéias em discussão, complementação através da leitura de diferentes portadores de texto, mobilização dos conhecimentos em variadas situações-problema, expressão diversificada do pensamento do aprendiz. Nesse sentido, a visão do educador / avaliador ultrapassa a concepção de alguém que simplesmente ‘observa’ se o aluno acompanhou o processo e alcançou resultados esperados, na direção de um educador que propõe ações diversificadas e investiga, confronta, exige novas e melhores soluções a cada momento”.
Texto original: Vinicius Signoreli
Edição: Equipe EducaRede
Ilustrações: Michele Iacocca/Acerco CENPEC
Segunda-feira, Abril 17, 2006
Por que planejar?
Sem planejamento é difícil dar
conta do recado
O papel da escola na construção de um país mais justo é fundamental, e ele se concretiza pela ação educativa. Desse modo, o trabalho do educador é tão complexo e importante que não pode ser improvisado. Cada professor, conhecendo os alunos com os quais trabalhará, tem de saber o que vai ensinar, para quê e como fará isso ao longo do trabalho educativo. Assim também, a escola como um todo, a partir das diretrizes gerais para a rede pública, define-se estabelecendo prioridades e ações, ou seja, seu Projeto de escola.
Planejar é prever e organizar as ações com determinadas finalidades, para se conseguir atingir mudanças.
:: O Projeto de Escola
Em seu Projeto de Escola, cada unidade escolar deve estabelecer quais são seus objetivos educativos:
Que transformações pretende gerar em seus alunos e na comunidade escolar?
Que ações educativas irá promover?
Que recursos humanos e materiais a escola possui?
Qual será o período de tempo disponível?
Qual será o período de tempo disponível?
O Projeto de Escola deve considerar as reais necessidades da comunidade na qual a escola está inserida, em particular as necessidades educativas de seus alunos:
Qual é a realidade da escola?
Quais são os principais problemas?
Os alunos têm realmente aprendido?
Veja mais questões para o Projeto de Escola.
Assim, ao identificar e analisar as dificuldades que a escola enfrenta e o que pretende mudar, é possível estabelecer objetivos e metas comuns a toda a equipe. As diferentes ações pedagógicas, desde o atendimento dos pais à realização de uma aula de Biologia, vão ser pensadas e organizadas a partir dessas linhas comuns e das metas combinadas.
Nesse sentido, uma das funções centrais do Projeto de Escola é selecionar e organizar os conteúdos necessários para dar conta dos objetivos educativos.
Esses conteúdos, por sua vez, são informações, conceitos, conhecimentos, valores, práticas e todas as formas culturais que os alunos devem aprender para que o processo educativo se realize de acordo com as intenções traçadas no Projeto de Escola.
:: Planejamento de Ensino
Conferindo o planejado
Em uma escola democrática, o Projeto de Escola é feito coletivamente e deve ser a base para todas as atividades de ensino e de aprendizagem planejadas pelos professores para serem desenvolvidas em sala de aula.
Esse planejamento do processo de ensino e aprendizagem que os professores devem construir para orientar sua ação pedagógica na sala de aula é aqui chamado de Planejamento do Ensino.
:: O Planejamento do Ensino em ação
A concretização do Planejamento de Ensino ocorre na sala de aula, com um professor e sua classe desenvolvendo atividades de ensino e de aprendizagem. Sala de aula, aqui, não deve ser considerada apenas o espaço entre quatro paredes, com carteiras e uma lousa; mas sim, todo e qualquer espaço no qual atividades de ensino e aprendizagem estejam ocorrendo. Por exemplo, quando um professor e os alunos de uma classe encontram-se em um bosque, num parque distante da escola, desenvolvendo uma atividade de educação ambiental, então, aquele bosque torna-se uma sala de aula. Assim também, um laboratório, o pátio da escola, um museu, uma oficina ou um estabelecimento industrial ou comercial no qual, por motivos educativos, o professor se encontra com seus alunos, desenvolvendo atividades de ensino e aprendizagem.
:: Ingredientes para planejar
Para falarmos de planejamento – seja o da escola ou da sala de aula – é preciso, primeiramente, deixar claro entre o grupo algumas idéias:
de que tipo de escola estamos falando?que relações estabelecemos entre escola e sociedade?
qual o sentido social da profissão de educador, seja ele professor, coordenador, supervisor, diretor de escola, membro de equipe técnica ou de apoio?
Conheça mais sobre o assunto no texto de Mário Cortella
Quando um professor, em cooperação com seus colegas, elabora seu Planejamento do Ensino, é importante ter em conta que sua ação profissional deve ser pensada em termos de um otimismo crítico, ou seja, o professor deve ter claro que as escolhas que faz quando elabora seus planos e as orientações que imprime no decorrer de cada aula devem ser coerentes com o Projeto de Escola, assim como, com uma perspectiva crítica e transformadora da realidade.
Essa preocupação com a concepção de educação que rege as ações do professor é fundamental para que o espaço da sala de aula não se transforme em um local de reprodução de injustiças, onde o conhecimento é visto como um pacote fechado a ser transmitido mecanicamente aos alunos.
:: A importância de conhecer o aluno
O Planejamento do Ensino começa com o professor considerando:
quem são meus alunos?
quais são os conhecimentos e as experiências de vida que eles têm com relação aos conteúdos das atividades que estarei propondo?
quais são as suas expectativas e dificuldades?
Conhecer o aluno real é fundamental para o Projeto
Essa preocupação em conhecer os alunos é muito importante, pois o professor pode se enganar quando confunde os alunos reais, aqueles que estão em sua sala de aula, com um modelo idealizado, geralmente aquele que “todo professor gostaria de ter”: saudável, bem alimentado, cuidado pela família, com acesso a livros, computador, centros culturais e lazer.
Leia mais sobre o tema
Diante dessas observações, fica claro que o Planejamento do Ensino não pode ser feito para qualquer aluno, considerando apenas as características do conhecimento, ou do conteúdo, em jogo nas atividades de ensino e aprendizagem.
Para o educador que trabalha com uma perspectiva inclusiva, que se preocupa com as reais condições culturais de seus alunos, o Planejamento do Ensino deve considerar os valores, os saberes e as experiências práticas que eles possuem, selecionando e organizando os conteúdos do ensino coerentemente com essas condições.
Dessa forma, se os alunos têm origem em famílias com pouca escolaridade, que não possuem livros em casa, que não lêem jornal cotidianamente, crianças que não têm a experiência de ganhar livros de literatura infantil, ou juvenil, então, o Planejamento do Ensino precisa considerar que essas práticas sociais devem estar presentes na própria escola. Esta, por sua vez, deve se organizar para suprir da melhor forma possível todas as faltas que a condição de exclusão de seus alunos possa estabelecer.
:: Acompanhar e avaliar o projeto
Projeto de qualidade,
aluno autônomo
Os projetos de escola e o planejamento do ensino não são documentos prontos e acabados. Na verdade, são estruturados como um processo. São alterados de acordo com mudanças processadas no ambiente escolar, na comunidade e nos alunos na sala de aula.
No caso, por exemplo, do Projeto de Escola é preciso observar as mudanças que vão ocorrendo, acompanhar o desencadeamento das ações, perceber seus resultados e, quando necessário, modificar os rumos do projeto. É preciso que a comunidade escolar, liderada pela equipe de educadores, assuma uma posição atenta, crítica e autocrítica quanto ao percurso do projeto.
Veja mais questões
Além da avaliação feita pelos educadores, sem dúvida indispensável, é importante incentivar as críticas vindas dos alunos, dos pais que podem contribuir para o desenvolvimento do projeto. Por isso, é importante abrir a escola para a avaliação da comunidade.
Quanto ao Planejamento de Ensino, a avaliação diversificada é fundamental para o replanejamento das ações pedagógicas futuras. É preciso saber se:
os alunos compreenderam os conceitos?
as atividades propostas foram adequadas?
atingiram os objetivos propostos? suas habilidades foram desenvolvidas?
que atitudes revelam mudanças?
houve trabalhos em grupos e individuais e com todos?
as propostas foram diversificadas?
O Planejamento do Ensino que, como foi dito, se realiza no espaço da sala de aula, envolve sempre quatro componentes que não podem ser
considerados isoladamente:
o aluno que aprende;
o professor que ensina;
um ou mais conteúdos de aprendizagem;
a avaliação.
Texto original: Vinicius Signoreli
Edição: Equipe EducaRede
O ensino e as condições iniciais dos alunos
O aluno já chega na escola com
algum conhecimento prévio
“O ensino deve partir dos conhecimentos prévios dos alunos”. O que quer dizer esta expressão bastante utilizada atualmente? O que ela pode significar em relação ao Planejamento do Ensino?
Para começar, é necessário definir os “conhecimentos prévios”, já que é comum haver uma confusão com relação a essa idéia, inclusive chegando a significar o conjunto de “conteúdos que os professores da série anterior ensinou e que os alunos deveriam ter aprendido”.
Conhecimento prévio é um conceito que se tornou famoso entre os educadores a partir de reflexões em educação com base teórica na pesquisa piagetiana. A construção do conhecimento pelo sujeito que pensa é a principal preocupação dessas pesquisas. Compreender como é o conhecimento que esse sujeito tem em um determinado momento de sua vida e com relação a um objeto é fundamental para refletir sobre a forma como esse sujeito aprende, ou seja, como ele transforma esse conhecimento prévio, passando a ter um maior conhecimento sobre o objeto.
Para os pesquisadores que trabalham com a construção do conhecimento, ou seja, com a forma como se dá a aprendizagem em relação a diferentes objetos de conhecimento, saber como são os conhecimentos prévios de uma pessoa (criança, jovem ou adulto) significa fazer uma pesquisa científica. Isso implica cuidados metodológicos, fundamentação teórica e tempo de observação, no mínimo. Muitas pesquisas têm sido feitas em torno dessa questão. Os educadores, sem dúvida, devem conhecê-las, pois elas podem nos orientar sobre decisões a tomar do ponto de vista didático. No entanto, um professor não precisa, e nem deve, a não ser que exista uma justificativa pedagógica para isso, desenvolver pesquisas em sala de aula para determinar quais são os conhecimentos prévios dos alunos toda vez que inicia uma ação pedagógica em relação a determinado conteúdo.
O que é preciso conhecer são as condições iniciais dos alunos, para planejar e desenvolver com eles as atividades de ensino e aprendizagem. Sempre que há aprendizagem, os conhecimentos prévios do sujeito que aprende estão em jogo, e isso faz parte das condições iniciais dos alunos, mas isso não é tudo. É preciso levar em conta também, entre outros aspectos:
a relação que os alunos têm com o esforço de aprender;
como eles encaram novos desafios;
que aprendizagens precisam ter vivido para dar conta das atividades na forma como elas estão planejadas.
Os conhecimentos prévios do aluno devem ser considerados na medida em que entram em ação durante a atividade. Ou seja, quando o professor percebe que um aluno não consegue responder a uma questão, ou escrever um texto, ou ainda, se a atividade não teve interesse porque ele já sabia as respostas, deve observar melhor o que esses alunos já sabem para ajustar as propostas de ensino às condições iniciais.
Durante a elaboração do Planejamento do Ensino, as condições iniciais dos alunos, em particular os conhecimentos prévios, precisam ser considerados também para que esse planejamento fique o mais próximo possível de sua realização. No entanto, somente durante a ação pedagógica é possível certificar-se se as hipóteses sobre as condições iniciais dos alunos foram adequadas ou não, para alterar o plano inicial e torná-lo melhor para aquele grupo de alunos, caso seja necessário.
Professores do Ensino Fundamental – guardadas as diferenças - convivem com cenas comuns nas escolas públicas ou privadas de todo o país, que envolvem as condições iniciais dos alunos.
Logo no início do ano letivo, na segunda semana de aula, um professor de Matemática entra na sala dos professores e, vendo seus colegas, afirma: “Esses alunos da 5ª série não vão aprender nada. Estou começando a ensinar frações e eles não sabem nem multiplicar. Dividir então, nem pensar”. Por que esse professor não pára imediatamente seu trabalho e reavalia seu planejamento? Por que não conversa com a coordenação pedagógica a respeito dessas dificuldades do grupo e solicita uma parceria para reorientar seu plano de trabalho de modo a dar conta das dificuldades de aprendizagem de seus alunos?
Existem muitas respostas para essas questões e uma delas diz respeito à formação dos professores nos cursos de licenciatura que, em geral, não abordam esse tipo de problema. Muito raramente em Matemática, por exemplo, estudam como deve ser a didática do ensino das operações fundamentais. Em conseqüência, aqueles que tentam realizar esse ensino na quinta ou sexta série, o fazem por meio de aulas expositivas. O professor resolve algumas contas na lousa, explicando “detalhadamente” cada “passagem” do algoritmo e perguntam se os alunos entenderam. Em seguida, considerando que o silêncio da classe significa “Sim, entendemos”, passa uma lista de contas para fazer em classe e em casa. E os alunos continuam sem saber multiplicar e dividir.
:: Problematizar – uma competência que o professor deve ter
Em todo início de trabalho com um conteúdo, mesmo que este já tenha sido trabalhado anteriormente, é necessário que o professor se preocupe em mobilizar os alunos para as aprendizagens que deverão ocorrer. Essa mobilização, que depende das condições iniciais dos alunos, pode ser despertada pelo professor por meio de problematizações do conteúdo.
Problematizar significa criar questões que possam ser entendidas pelos alunos, mas que não podem ser respondidas de imediato, provocando-lhes uma vontade de saber. Em muitos casos, o Projeto de Escola já apresenta problematizações apropriadas para o desenvolvimento do ensino e da aprendizagem. Mas, em geral, os professores precisam, a partir do Projeto de Escola, selecionar conteúdos e, considerando as condições iniciais de seus alunos, realizar o Planejamento do Ensino e as problematizações necessárias ao desenvolvimento das atividades de ensino e aprendizagem.
É importante que fique bem claro que, se os alunos não se interessarem pelas questões que o professor faz a eles, então, são as questões que precisam mudar, não os alunos.
Essas reflexões podem ser aplicadas ao trabalho de todos os professores da educação básica, seja uma professora alfabetizadora, um professor de 5ª a 8ª série ou de Ensino Médio.
Texto original: Vinicius Signoreli
Edição: Equipe EducaRede
Ilustrações: Michele Iacocca/Acerco CENPEC
Planejamento na Escola - Leitura Complementar
:: Sala de aula: planejar ou improvisar?
Planejar para construir o ensino
Em uma sala de aula, durante a fala do professor, um aluno formula uma pergunta. O professor ouve atentamente e se vê diante de um dilema: O que fazer? Responder a pergunta objetivamente e continuar a exposição? Anotar a questão no quadro e dizer que responderá ao terminar o que está expondo? Anotar a pergunta e pedir a toda classe que pense na resposta? Solicitar ao aluno que anote a pergunta e a repita ao final da exposição? Qual a conduta mais correta?
Escolher uma resposta adequada depende de vários fatores que devem ser considerados pelo professor. Entre eles, se a pergunta contribui para o desenvolvimento da atividade de ensino e aprendizagem naquele momento, ou ainda se existe pertinência em relação ao conteúdo em jogo na atividade.
A pergunta pode evidenciar um nível de compreensão conceitual mais elaborado de um aluno se comparado à maioria da classe. Respondê-la naquele momento transformaria a aula em uma conversa entre o professor e aquele aluno, que dificilmente seria acompanhada pelos demais. Pode também revelar uma criança ou jovem com dificuldade de compreender o conceito em questão, o que sugere algum tipo de atenção mais individualizada. É possível concluir ainda que a questão seria uma ótima atividade de aprendizagem em um momento posterior, quando certos aspectos do conteúdo já estiverem esclarecidos.
:: Planejar: coerência para as ações educativas
O professor tem um papel fundamental de coordenar o processo de ensino e aprendizagem da sua classe. “É preciso organizar todas as suas ações em torno da educação de seus alunos. Ou seja, promover o crescimento de todos eles em relação à compreensão do mundo e à participação na sociedade”. Para isso, ele precisa ter claro quais são as intenções educativas que presidem esta ou aquela atividade proposta. Na verdade, ele precisa saber que atitudes, habilidades, conceitos, espera que seus alunos desenvolvam ao final de um período letivo.
Certamente isso significa fazer opções quanto aos conteúdos, às atividades, ao modo como elas serão desenvolvidas, distribuir o tempo adequadamente, assim como fazer escolhas a respeito da avaliação pretendida. Se essas intenções estiverem claras, as respostas a esta ou àquela pergunta ou a diferentes situações do cotidiano de uma sala de aula serão mais coerentes com os objetivos e propósitos definidos.
O Planejamento do Ensino tem como principal função garantir a coerência entre as atividades que o professor faz com seus alunos e as aprendizagens que pretende proporcionar a eles.
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::Quem faz o planejamento
O planejamento é um trabalho individual e de equipe
A elaboração do Planejamento do Ensino é uma tarefa que cada professor deve realizar tendo em vista o conjunto de alunos de uma determinada classe, sendo, por isso, intransferível. O ideal é desenvolver esse Planejamento em cooperação com os demais professores, com a ajuda da coordenação pedagógica e mesmo da direção da escola, mas cada professor deve ser o autor de seu Planejamento do Ensino. Quantas vezes nós, professores, ouvimos um aluno perguntar: - Professor, por que a gente precisa saber isso? Quantas vezes, no tempo em que éramos alunos, fizemos essa mesma pergunta a nossos professores, sem nunca obter uma resposta satisfatória?
:: Flexibilidade
Vale lembrar que nenhum Planejamento deve ser uma camisa-de-força para o professor. Existem situações da vida dos alunos, da escola, do município, do país e do mundo que não podem ser desprezadas no cotidiano escolar e, por vezes, elas têm tamanha importância que justificam por si adequações no Planejamento do Ensino.
No processo de desenvolvimento do ensino e da aprendizagem, novos conteúdos e objetivos podem entrar em jogo; outros, escolhidos na elaboração do plano, podem ser retirados ou adiados. É aconselhável que o professor reflita sobre suas decisões durante e após as atividades, registrando suas idéias, que serão uma das fontes de informação para melhor avaliar as aprendizagens dos alunos e decidir sobre que caminhos tomar.
Além disso, as pessoas aprendem o mesmo conteúdo de formas diferentes; portanto, o Planejamento do Ensino é um orientador da prática pedagógica e não um “ditador de ritmo”, no qual todos os alunos devem seguir uniformemente. Ao longo do ano letivo e a partir das avaliações, algumas atividades podem se mostrar inadequadas, e será necessário redirecionar e diversificá-las, rever os conteúdos, fazer ajustes.
:: Registro
Registrar ajuda a avaliação
Vale destacar que a forma de organizar o Planejamento do Ensino aqui apresentado é uma escolha. O importante é o professor ter alguma forma de registro de suas intenções, procurando agir pedagogicamente de forma coerente com os objetivos específicos e gerais traçados no Projeto de Escola e em seu Planejamento do Ensino. A forma como cada professor registra seu Planejamento não deve ser fixa, para que cada profissional possa fazê-lo da forma como se sente melhor. Mas, se um educador deseja ser um profissional reflexivo, que pensa criticamente sobre sua prática pedagógica e se desenvolve profissionalmente com esse processo, ele precisa registrar seu Planejamento do Ensino.
"Redigir o projeto não é uma simples formalidade administrativa. É a tradução do processo coletivo de sua elaboração [...]. Deve resultar em um documento simples, completo, claro, preciso, que constituirá um recurso importante para seu acompanhamento e avaliação."
:: Componentes do planejamento do ensino
O Planejamento do Ensino, chamado também de planejamento da ação pedagógica ou planejamento didático, deve explicitar:
as intenções educativas – por meio dos conteúdos e dos objetivos educativos, ou das expectativas de aprendizagem;
como esse ensino será orientado pelo professor – as atividades de ensino e aprendizagem que o professor seleciona para coordenar em sala de aula, com o propósito de cumprir suas intenções educativas, o tempo necessário para desenvolvê-las);
como será a avaliação desse processo.
:: Conteúdos e objetivos
Conteúdo é uma forma cultural, um tipo de conhecimento que a escola seleciona para ensinar a seus alunos. Informações, conceitos, métodos, técnicas, procedimentos, valores, atitudes e normas são tipos diferentes de conteúdos. Informações, por exemplo, podem ser aprendidas em uma atividade, já o algoritmo da multiplicação de números inteiros, que é um procedimento, não. Esse é um tipo de conteúdo cuja aprendizagem envolve grandes intervalos de tempo e que necessita de atividades planejadas ao longo de meses, pelo menos.
Valores são conteúdos aprendidos nas relações humanas, ocorram elas no espaço escolar ou não. Muitas vezes, aprender um valor pode significar também mudar de valor, o que torna o ensino e a aprendizagem de valores, e de atitudes também, um processo complexo, que não se resolve apenas com a preparação de atividades localizadas. Em uma escola onde o respeito mútuo e o combate a qualquer tipo de preconceito de gênero, de etnia ou de classe social estejam ausentes no dia-a-dia, não há como ensinar valores e atitudes por meio de atividades ou “sérias conversas” sobre esses temas.
Os conteúdos do Planejamento do Ensino são aqueles que guiaram a escolha das atividades na elaboração do plano e são os conteúdos em relação aos quais o professor tentará observar, e avaliar, como se desenvolvem as aprendizagens, pois isso não seria possível fazer com relação a “todos” os conteúdos presentes na atividade.
Mais conteúdos de planejamento e atividades
:: Objetivos
Os objetivos educativos do Planejamento do Ensino, também chamados objetivos didáticos ou específicos, ou ainda de expectativas de aprendizagem, definem o que os professores desejam que seus alunos aprendam sobre os conteúdos selecionados. A forma tradicional de redigir um objetivo é utilizar a frase “ao final do conjunto de atividades, cada aluno deverá ser capaz de...”. Não há problema em definir dessa forma os objetivos no Planejamento do Ensino, desde que os alunos não sejam obrigados a atingi-los todos ao mesmo tempo. É possível definir esses objetivos descrevendo as expectativas de aprendizagem da forma que for mais fácil de compreendê-las.
Os objetivos educativos do Planejamento do Ensino são importantes porque muitos conteúdos, os conceitos científicos entre eles, são aprendidos em processos que se complementam ao longo da escolaridade. Por exemplo, se um aluno das séries iniciais do Ensino Fundamental afirmar que célula é uma “coisa” muito pequena que forma o corpo dos seres vivos, pode-se considerar que seu conhecimento sobre o conceito de célula está em bom andamento. Mas, se esse for um aluno de 1a série do Ensino Médio, então, ele está precisando aprender mais sobre esse conceito.
Os objetivos educativos do Planejamento do Ensino definem o grau de aprendizagem a que se quer chegar com o trabalho pedagógico. São faróis, guias para os professores, mas não devem se tornar “trilhos fixos”, em seqüências que se repetem independentemente da aprendizagem de cada aluno.
:: Organização das atividades
Organizar as atividades
A principal função do conjunto articulado de atividades de ensino e aprendizagem que devem compor o Planejamento do Ensino é provocar nos alunos uma atividade mental construtiva em torno de conteúdo(s) previamente selecionado(s), no Projeto de Escola, no Planejamento do Ensino ou durante sua realização.
Ao escolher uma atividade de ensino e aprendizagem para desenvolver com seus alunos, o professor precisa considerar principalmente a coerência entre suas intenções – explicitadas pelos conteúdos e objetivos – e as ações que vai propor a eles. Precisa também pensar em como aquela atividade irá se articular com a(s) anterior(es) e com a(s) seguinte(s). Uma atividade que está iniciando o trabalho sobre um ou mais conteúdos é muito diferente de uma atividade na qual os alunos estão discutindo um problema real, visto no jornal, por exemplo, baseados em seus estudos anteriores sobre conceitos que estão em jogo no problema.
As atividades devem ser de acordo com aquilo que se quer ensinar, seja a curto, médio ou longo prazo. A diversidade é uma de suas características principais: assistir a um filme, a uma peça teatral ou a um programa de TV; realizar produções em equipe; participar de debates e praticar argumentação e contra-argumentação; fazer leituras compartilhadas (em voz alta); práticas de laboratório; observações em matas, campos, mangues, áreas urbanas e agrícolas; observações do céu; acompanhamento de processos de médio e longo prazo em Biologia e Astronomia. Idas a museus, bibliotecas públicas, exposições de arte. Pesquisa em livros e revistas, com ou sem uso de informática e Internet. Assistir a uma exposição por parte do professor.
Novamente, deve-se insistir no fato de que a seqüência de atividades que compõe o Planejamento do Ensino deve levar em conta as experiências dos próprios alunos no decorrer de cada atividade escolhida. Existem planos que se realizam quase integralmente, os que se realizam em grande parte, ou aqueles que, simplesmente, precisam ser refeitos tendo como critério a avaliação da aprendizagem dos alunos.
:: Avaliação continuada
A avaliação continuada, ou mediadora da aprendizagem, indispensável no Planejamento do Ensino, é o instrumento por meio do qual o professor procura observar o desenvolvimento de seus alunos à medida que o processo de ensino e aprendizagem está em andamento. Essa observação tem por objetivo regular as atuações do professor, ou seja, dar a ele informações para que seja possível decidir se o que foi traçado no planejamento está correspondendo ao esperado ou não. Sendo que, no segundo caso, o professor precisa, então, refletir sobre o que deve mudar para que as aprendizagens esperadas comecem a se realizar ou melhorem. É importante frisar que essa avaliação não tem por objetivo dar nota aos alunos, mas sim regular o processo de ensino e aprendizagem.
Quando uma professora inicia seu trabalho em uma 2ª série e percebe que quase metade de seus alunos não consegue ler um pequeno bilhete de boas-vindas que ela havia preparado, então, deve começar a pensar no que fazer imediatamente, ou seja, tem que pensar em como irá articular as atividades de forma a proporcionar o desenvolvimento da leitura a todos os alunos, cada um partindo do estágio em que se encontra.
Sempre que um professor dá início ao trabalho com algum conteúdo, deve observar o que os alunos já sabem sobre esse conteúdo. Essa avaliação pode ser chamada de inicial Mas ela não se refere ao início do ano ou do bimestre e, sim, ao início do trabalho pedagógico com um determinado conteúdo. A avaliação inicial auxilia o professor a ajustar seu plano de ensino, principalmente considerando as diferenças entre seus alunos no momento de desenvolver as atividades selecionadas no planejamento.
Quando um professor de Ciências descobre que seus alunos da 6a série não conseguem resolver problemas porque têm dificuldades de leitura, deverá, então, colaborar com o desenvolvimento da competência leitora de seus alunos, ainda que trabalhando com textos específicos de sua área, como por exemplo, de divulgação científica, textos expositivos ou argumentativos.
Ao refletirmos sobre a avaliação mediadora do ensino e da aprendizagem em sala de aula, explicitamos uma função importante do Planejamento do Ensino: ser a referência que o professor utiliza para avaliar continuamente o processo de ensino e aprendizagem, com o propósito de garantir as aprendizagens dos alunos naqueles conteúdos eleitos no Planejamento.
Texto original: Vinicius Signoreli
Edição: Equipe EducaRede
Ilustrações: Michele Iacocca/Acerco CENPEC
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Em muitos casos, quando o professor atua junto à sua classe sem ter refletido sobre a atividade que está em desenvolvimento, sem ter registrado de alguma forma suas intenções educativas, a atividade pode se revelar contraditória com os objetivos educativos que levaram o professor a selecioná-la.
Esse tipo de contradição é muito mais comum do que parece. No ensino da leitura, por exemplo, é freqüente o professor exigir de um aluno uma leitura em voz alta de um texto que o próprio aluno lerá pela primeira vez. Logo após essa leitura, o professor pede que ele comente o que leu, ou faça um resumo. Faz perguntas sobre as informações contidas no texto e pede-lhe que relacione idéias com outras anteriormente tratadas em classe. Geralmente, os professores que propõem essa atividade a seus alunos dizem que ela tem o objetivo de desenvolver a capacidade de ler e interpretar um texto. Mas esses professores se esquecem que, para ler em voz alta, principalmente um texto que está sendo lido pela primeira vez, a atenção do leitor volta-se para a emissão da voz, a entonação, os cuidados com a pontuação.
Ou seja, o leitor, nessas ocasiões, preocupa-se em garantir a audição de sua leitura, não a compreensão lógica e conceitual do que está lendo. Já uma leitura voltada à compreensão de um texto deve ser silenciosa, visando o entendimento dos raciocínios e, por isso, com idas e vindas constantes. Se um parágrafo apresenta uma idéia mais difícil, pode-se lê-lo várias vezes. Se uma palavra tem significado desconhecido, usa-se o dicionário. A leitura em voz alta é contraditória com uma leitura voltada ao estudo, à confecção de um resumo do texto. A atividade proposta pelo professor fica comprometida por essa contradição.
:: Conteúdo do planejamento X Conteúdo das atividades
Em uma atividade de ensino e aprendizagem, os alunos trabalham com vários tipos de conteúdos ao mesmo tempo. Pensando sobre um conceito de Matemática, os alunos podem estar mais ou menos mobilizados para essa ação, e a mobilização necessária pode ser fruto de um valor anteriormente aprendido: são alunos que gostam do desafio de aprender, e que identificam na atividade problemas interessantes que aguçam seu pensamento lógico.
Para resolver uma questão de História ou de Geografia, o aluno precisa mobilizar seus conhecimentos de leitura, lembrar dados e relações que ele já aprendeu e que lhe permitam compreender a questão feita e pensar em possíveis respostas, ou em possíveis fontes para obter informações ou esclarecer conceitos. Por fim, terá que mobilizar seus conhecimentos de escrita para redigir a resposta.
Durante uma atividade, alunos interagem com outros alunos e com o educador, e nessas relações inúmeros valores e atitudes entram em jogo. Quando o professor, ao iniciar um debate, relembra as regras de participação com sua classe, está trabalhando conteúdos atitudinais ainda que o debate seja sobre reprodução celular.
É preciso lembrar, ainda, que existem conteúdos, geralmente, valores ou atitudes, que são eleitos no Projeto de Escola, e que devem ser trabalhados em todas as atividades de sala de aula, bem como em todas as relações pessoais ocorridas no espaço escolar. Respeito mútuo e intolerância com qualquer tipo de discriminação étnica, de gênero ou classe social são dois exemplos desses conteúdos.

